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Jardim para Borboletas - Nova escultura homenageia a saudosa Irmã Veerle

09/08/2019 - 15:15
ASCOM | Texto: Luís Carlos Gusmão e Daniel Moraes | Fotos: Daniel Moraes

O prefeito de Montes Claros, Humberto Souto, inaugurou, na tarde desta quinta-feira, 8, no cruzamento da avenida Deputado Esteves Rodrigues com a Sidney Chaves, nas proximidades do Condomínio das Castanheiras, um jardim com uma escultura gigante de borboleta em homenagem a Joana Maria Juliana Wandekeybus, popularmente conhecida como Irmã Veerle, falecida recentemente. A escultura foi feita de aço e sucata pelo artista Gu Ferreira, com o apoio dos reeducandos do sistema prisional de Montes Claros.

O programa Jardim para Borboletas é uma parceria da Prefeitura de Montes Claros com o Ministério Público (MP), vinculada ao programa Para Além das Prisões, e tem a finalidade de embelezar a cidade e promover a cidadania, através da construção de jardins com esculturas de borboletas em homenagem a mulheres que contribuem ou contribuíram para a sociedade montes-clarense. O jardim será cuidado por uma pessoa em situação de rua. Já foram homenageadas a promotora Ana Heloísa Marcondes Silveira (Praça da Rodoviária), a enfermeira Antônia Colares, a popular "Tonha da Santa Casa" (avenida Deputado Esteves Rodrigues), a doméstica Maria da Conceição Silva, a “Maria de Custodinha” (Trevo da Sion), e Marina Fernândez (Praça da Rosa Mística).

O representante da Pastoral Carcerária, Dilson Marques, destacou que as praças estão ficando cada vez mais bonitas e que a sociedade está apoiando o Programa. Salientou que ações como essas devem servir de exemplo para outras cidades do país, tendo em vista que são criativas e homenageiam as personalidades representativas da sociedade.

Em nome da Santa Casa e da Congregação do Sagrado Coração de Maria, a irmã Lêda Maria Muniz Gomes falou do importante legado deixado pela homenageada Irmã Veele, e da satisfação que ela tinha por ter sido acolhida pelo povo solidário e carismático da cidade de Montes Claros.

Entre os presentes ao evento, a Irmã Maria Guido era uma das mais emocionadas. A freira, de 89 anos, acompanhou a Irmã Veerle nas duas viagens mais importantes de sua vida. A primeira foi no ano de 1968, já que Maria Guido, que, assim como a Irmã Veerle, é nascida na Bélgica, foi a responsável por trazer sua conterrânea para o Brasil. A outra viagem foi mais recente, quando Guido fez companhia à Irmã Veerle no momento de sua morte, segurando sua mão em seu último suspiro. "Era realmente uma amiga. Trabalhadora, cheia de vontade de fazer o bem. A iniciativa dessa homenagem é muito louvável", recordou Irmã Guido, acrescentando que o maior legado deixado por Veerle foi "o exemplo".

Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Paulo Ribeiro, o programa Jardim para Borboletas é uma forma de homenagear mulheres que foram ou que são destaque na sociedade montes-clarense. Lembrou do exemplo de vida da Irmã Veerle, que nos últimos 50 anos cuidou com carinho dos pacientes da Santa Casa, e chegava a ceder até sua própria cama para os doentes que não encontravam leitos. O secretário comparou a Irmã Veerle com a Madre Teresa de Calcutá, que, certa vez, ouviu um banqueiro dizendo que não daria banho em um leproso por nenhum dinheiro e ela respondeu: "eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso".

Em sua fala, o prefeito Humberto Souto enalteceu a importância do programa Jardim para Borboletas e sua justa homenagem para a irmã Veerle: “a vida não tem sentido sem o sentimento de solidariedade, e este programa, idealizado pelo promotor do Meio Ambiente, Paulo César, inspirado no professor Hugo Verneck, que escreveu um livro sobre esses belos insetos, veio sensibilizar as pessoas, mostrando a importância da reinserção dos detentos na sociedade, que estão ajudando na construção das esculturas, bem como da utilização da mão de obra de pessoas em situação de rua, que cuidam dos jardins. E esta homenagem a Irmã Veerle foi extraordinária, pois ela dedicou sua vida inteira para atender as pessoas, principalmente as mais humildes, deixando um grande exemplo de vida para todos nós”.

IRMÃ VEERLE

Joana Maria Juliana Wandekeybus nasceu em 26 de novembro de 1937, na cidade de Esseen, Bélgica. Aos 21 anos ingressou na Congregação do Sagrado Coração de Maria. Após dois anos de noviciado, estudou enfermagem. Durante cinco anos trabalhou como enfermeira em um hospital da Bélgica. Em 9 de fevereiro de 1968, quando chegou ao Brasil, veio para Montes Claros trabalhar na Santa Casa, local de atuação até o ano passado. A Santa Casa era um hospital pequeno, com poucos funcionários, mais ou menos 50 pessoas. Não havia funções definidas e todos faziam de tudo para atender os pacientes. Todos se tornaram amigos e formaram uma grande família. A instituição era carente de recursos financeiros e as irmãs desempenharam papel fundamental para a manutenção do atendimento.

Irmã Veerle trabalhou com as outras irmãs e os médicos pioneiros do corpo clínico, ensinando a profissão de enfermeira a jovens que desejavam trabalhar no hospital. Ao longo desses quase 44 anos de serviços prestados ao hospital, sempre contou com o apoio de familiares e amigos da Bélgica e Holanda, que enviavam roupas e materiais médico-hospitalares para auxiliar o trabalho de cuidar dos doentes.

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