Imagem de destaque COMENDA ANTIRRACISTA - Defensores dos direitos da população negra serão contemplados com a Medalha Joaquim Nagô

COMENDA ANTIRRACISTA - Defensores dos direitos da população negra serão contemplados com a Medalha Joaquim Nagô

22/05/2026 - 13:44 | atualizado em 22/05/2026 - 13:52
SECOM | Texto: Luís Carlos Gusmão | Fotos: Acervo

Como forma de reconhecer pessoas que se destacam por suas contribuições significativas no combate ao racismo e na promoção da igualdade racial em Montes Claros, o Conselho Municipal da Igualdade Racial, com apoio da Prefeitura de Montes Claros, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, prestará homenagem a seis personalidades com a comenda Joaquim Nagô.

As medalhas serão entregues na sexta-feira, dia 29, no auditório da Câmara Municipal de Montes Claros, em celebração ao Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate à Discriminação Racial, que ocorre em 30 de maio. Esta data foi oficialmente estabelecida pela lei nº 5. 572, de 23 de junho de 2023, e remete à morte de Joaquim Nagô, um escravo que foi executado em praça pública no Arraial das Formigas (atual Montes Claros), por um crime do qual era inocente.

“O Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate à Discriminação Racial é vital para que possamos relembrar os momentos cruéis do racismo em nossa cidade e, assim, batalhar para que a discriminação racial, que ainda persiste, seja completamente eliminada”, disse a presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Montes Claros, Rita Alessandra Souza dos Santos. Segundo ela, neste ano, o Compir decidiu homenagear, no Dia de Nagô, homens defensores dos direitos da população negra, e em julho será a vez das mulheres, em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. Ou seja, Julho das Pretas, concluiu

 História

Joaquim Nagô, ou Joaquim Africano, foi um jovem escravo natural de Nagô, África. Ele foi acusado sem qualquer prova, “por ouvir dizer”, de assassinar, a 22 de abril de 1835, Joaquim Antunes Ferreira (ou d’Oliveira), em São José do Gorutuba. Joaquim Nagô negou sistematicamente a autoria, mas foi a júri popular, sendo condenado à forca, pena cumprida em 26 de março de 1836, nas cercanias do atual Café Galo, onde foi montado o patíbulo.

Durante a execução, a corda se partiu duas vezes, sendo preciso o carrasco se utilizar de um forte laço de couro ensebado, buscado em sua casa. Impressionados com as quebras seguidas da corda, o público pediu clemência para o condenado, em vão. Anos depois, em Diamantina, um tropeiro agonizante confessou a autoria do crime atribuído a
Joaquim Nagô.

Em 1941, em virtude do serviço de pavimentação da Rua Governador Valadares, o prefeito à época, Antônio Teixeira de Carvalho, mandou desenterrar os restos dos troncos da forca, que ficava precisamente em frente ao atual prédio de número 66. Após a abolição da pena de morte, o patíbulo foi serrado e seus tocos se espalharam pelo chão, ficando enterrados com o passar do tempo.

Ato contínuo, Teixeira de Carvalho determinou que os tocos fossem guardados na Prefeitura, com a finalidade de fazerem parte do futuro Museu Municipal de Montes Claros. Segundo o historiador Hermes de Paula, Joaquim Nagô foi o primeiro condenado executado no local.