Nesta segunda-feira, 10 de agosto, o Município de Montes Claros, através das secretarias de Cultura e Turismo e do Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade e em parceria com a Arquidiocese de Montes Claros, vai retornar o Cruzeiro da Capela de Nossa Senhora do Rosário, mais conhecida como Igrejinha do Rosário, para o seu local de origem.
O monumento de fé e patrimônio da cultura montes-clarense é feito de madeira e teve parte da estrutura restaurada para que fosse recolocado em frente à Capela de Nossa Senhora do Rosário. Assim, durante as Festas de Agosto, a população poderá manter a tradição de celebrar ali a sua devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e ao Divino Espírito Santo. Para garantir que a peça retornasse para a população, foi utilizada na restauração do Cruzeiro centenário madeira do Cruzeiro da Igreja São Francisco, que fica no Morro do Frade.
Para o padre Fernando de Almeida, pároco da Igrejinha do Rosário, “quando tem o toque da Providência, Deus conduz a história”. O padre Fernando fez questão de ressaltar que o Cruzeiro da Igreja São Francisco tem um ponto de encontro com a história da Igrejinha do Rosário, ao contar como as duas cruzes se juntaram em uma só para devolver à cidade um patrimônio sagrado. “Não estamos falando só de patrimônio cultural, mas de patrimônio sagrado, porque, pra mim, transcende. As duas histórias se entrelaçaram e a cruz (da Igrejinha do Rosário) restaurada voltará, porque tem muito silêncio que canta, e gente precisa ouvir. Já uma outra, toda nova, vai para a Igreja de São Francisco, no Morro do Frade”, afirmou ele.
A Secretaria de Cultura e Turismo de Montes Claros destacou que toda a ação só foi possível com o envolvimento da comunidade, presidida por padre Fernando. A ação conjunta mostrou a importância do poder público e da comunidade andarem juntos para manter o patrimônio da cidade e resguardar a sua história e o seu símbolos. A cruz foi restaurada com recursos arrecadados a partir de campanha realizada pela Arquidiocese de Montes Claros e pelo Padre Fernando, com o suporte do Município de Montes Claros, através das secretarias de Cultura e Turismo e de Ambiente, Bem Estar Animal e Sustentabilidade.
Para marcar o retorno do Cruzeiro será celebrada uma missa, presidida pelo Padre Fernando Soares de Almeida, seguida da benção ao símbolo das tradições religiosas e culturais.
O Cruzeiro precisou ser removido no início de julho, com autorização do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Montes Claros (COMPAC), para evitar que se transformasse em um risco à população. Antes da retirada, a peça foi vistoriada por técnicos da Secretaria de Ambiente, Bem-Estar Animal e Sustentabilidade. Durante vistoria, os técnicos constataram que o topo do Cruzeiro estava completamente oco e que o local de encaixe da peça transversal encontrava-se deteriorado, tendo dado lugar a um ninho de pássaro, já abandonado. Não havia mais madeira suficiente para manter, de forma segura, o parafuso que fixava a peça transversal à estrutura vertical. Nesta, diversas rachaduras evidenciavam o elevado grau de comprometimento da madeira. Todos os parafusos responsáveis pela fixação das peças estavam soltos, gerando insegurança quanto à estabilidade da estrutura, que, devido ao estado em que se encontrava, poderia cair sobre pedestres ou veículos que circulavam nas proximidades da Igrejinha do Rosário.
Além da deterioração da madeira que compõe a cruz, comprometendo completamente sua segurança, verificou-se que a base do Cruzeiro havia sido concretada como forma de preencher os espaços existentes. Também foram encontrados vestígios de cinzas junto ao pé da peça, indicando que o local havia sido queimado. A parte da estrutura enterrada no solo, embora apresentasse melhor estado de conservação, também possuía rachaduras que levaram à divisão do Cruzeiro em duas partes.
Em razão do estado de fragilidade da madeira e do risco iminente de queda da estrutura, o Cruzeiro foi removido para restauração.
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