Aconteceu no Espaço OAB, no dia 15 deste mês, a palestra “Trajetórias do Africano no Território Brasileiro”. Foi proferida pelo professor, historiador e pesquisador Natanael dos Santos e contou com a participação do Quinteto Griô Educacional.
Reconhecer a importância de respeitarmos todas as diferenças e valorizarmos o que cada um tem a contribuir para termos uma sociedade melhor, isto é fazer com que A NOSSA DIFERENÇA NÃO FAÇA A DIFERENÇA. O professor Natanael dos Santos veio falar sobre o que é ser humano, independente de nossa crença, cor ou crédulo.
O tema proporcionou à plateia de mais de 600 pessoas, entre Diretoras (es), Supervisoras (es) e Professoras (es) do município, refletir sobre as riquezas de nossa história e a contribuição inestimável da cultura africana para a formação de nossa identidade.
A verdadeira história do negro
O professor Natanael dos Santos iniciou sua apresentação falando sobre a verdadeira história do negro e a trajetória do africano no território brasileiro. Natanael, em 2019, ganhou o Leão de Ouro, considerado o Oscar da literatura brasileira, que evidenciou o protagonismo negro na história nacional, além de ser laureado com o World Summit Award. Seu percurso integra pesquisa, artes cênicas e atuação institucional, incluindo consultoria junto à OAB/SP. Seu compromisso com a promoção da equidade racial e com a implementação das Leis n. 10.639/2003 e n. 11.645/2008 foi amplamente reconhecido. Em 2025, recebeu a Comenda Senador Abdias do Nascimento, no Senado Federal, tornando-se Comendador da República. Em 2026, é agraciado com o Prêmio Networking Empresarial Nacional e Internacional.
Em sua palestra, Natanael explicou as diferenças físicas no humano, mostrando que o preconceito com a cor da pele, forma do corpo, além da cultura ou crença, vem da falta de informação. “Todos nós somos diferentes. Eu tenho 70 anos, sou da etnia preta e da raça humana. Meu cabelo é crespo, minha pele é escura, meu nariz baixo e minha boca é grande, porque na África as temperaturas são muito elevadas, chegando a 50º. Todas essas minhas características são formas de nos adaptarmos ao meio, uma proteção”, explicou.
Natanael também lembrou que na sua infância sofria muito preconceito pela cor de sua pele e características físicas por ser negro. “Lembro que na escola as pessoas riam do meu cabelo, por ele ser crespo (carapinha). O preconceito existe até hoje, mesmo nós, vivendo em um país com a segunda maior população negra do planeta, sendo 56% das pessoas, ficando atrás somente da Nigéria”, disse.
Paralelamente às suas falas, o Quinteto Griô contava a história dos instrumentos musicais com cordas friccionadas, como a viola de gamba e a viola de arco, que surgiram na Etiópia e depois foram para a Europa, onde foi criado o violino e o violoncelo, por exemplo. No final de sua palestra, ele chamou dezenas de estudantes ao palco, onde, juntos, tocaram vários instrumentos.
O evento realizado é uma das atividades do projeto da Secretaria Municipal de Educação "Escolas Antiracistas", sendo que as Escolas que cumprirem as diretrizes propostas receberão, no final deste ano, o SELO DE ESCOLA ANTIRACISTA.
O encontro foi um momento de aprendizado, reflexão e de celebração da diversidade.
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