O Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir), com apoio da Prefeitura Municipal de Montes Claros, através das Secretarias municipais de Desenvolvimento Social, Educação e Comunicação, além das coordenadorias municipal e estadual de Promoção da Igualdade Racial; Observatório das Desigualdades e Discriminações Étnico-Raciais da Unimontes, Câmara Municipal de Montes Claros e algumas empresas da iniciativa privada, realizou na última sexta-feira (29), na Câmara Municipal de Montes Claros, a entrega da Comenda Joaquim Nagô a homenageados montes-clarenses.
A mesa de honra do evento foi composta por: Rita Alessandra, presidente do Compir; pelos vereadores Soter Magno, Rodrigo Cadeirante, Daniel Dias e Iara Pimentel; Lincoln Veloso, representante da Secretaria Municipal de Educação; André Kevny, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social; Leandro Luciano, do Observatório das Desigualdades e Discriminações Étnico-Raciais da Unimontes; Letícia Imperatriz, da CEDIR; Newton Júnior, do Programa Saúde e Cidadania; Maria Clara, da Coordenadoria Municipal de Promoção da Igualdade Racial.
Foram homenageados: André Luiz Santos (Contramestre Morcegão), Bersange Jorge (Pastor Bel), Cleyton Cruz, Daniel Dias (vereador), Davicrison Edson (Tateto Tariango), Josecé Alves Santos, José Paulo Pereira, Gabriel Barros de Brito.
O evento foi abrilhantado pelo Grupo Ritmo de Raiz, Projeto Cultural pertencente ao Ponto de Cultura Arundê Capoeira. O grupo fez uma apresentação de Maculelê (dança folclórica afro-indígena brasileira que simula um combate tribal com bastões ou facões) e uma apresentação de Samba de Roda (manifestação cultural afro-brasileira, considerada a matriz de outras modalidades de samba). No final foi oferecido um coquetel a todos os presentes.
A Comenda Joaquim Nagô simboliza resistência, ancestralidade, dignidade e compromisso com a justiça racial. Neste ano de 2026 foi destinada em reconhecimento às trajetórias e contribuições sociais de pessoas que se destacaram no enfrentamento e combate ao racismo.
“O Dia Municipal Joaquim Nagô de Combate à Discriminação Racial foi criado pela lei nº 5.572, de 23 de Junho de 2023, e sancionada pelo então prefeito Humberto Souto, após longa pesquisa do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, com a colaboração de parceiros. A data tem como objetivo ressaltar as etapas cruéis do racismo vividas em nosso município e reforçar a luta contínua pela erradicação completa da discriminação racial, que ainda persiste nos dias atuais”, destacou o ativista negro José Gomes Filho, ex-presidente do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Montes Claros.
História - Joaquim Nagô foi um jovem africano escravizado, morto por enforcamento em Montes Claros no dia 30 de maio de 1836. Nagô foi acusado de ter, um ano antes do seu enforcamento, assassinado o senhor de escravos Joaquim Antunes, a golpes de faca. O crime ocorrera em São José do Gorutuba, hoje distrito de Porteirinha, a 173 quilômetros de Montes Claros. Não obstante a ausência de provas concretas sobre a autoria do crime e o acusado ter negado tal ato, ele foi julgado e condenado à morte.
O enforcamento ocorreu em um patíbulo que existia em um ponto situado na rua Simeão Ribeiro, hoje Quarteirão do Povo, próximo ao cruzamento com a rua Governador Valadares. Anos depois da execução, um tropeiro agonizante, na cidade de Diamantina, confessaria a autoria do crime atribuído ao inocente Joaquim Nagô.
Todos os direitos reservados a Prefeitura Municipal de Montes Claros © 2026