O Conselho Municipal de Igualdade Racial de Montes Claros realizou na manhã desta quarta-feira (13), na Rua Simeão Ribeiro, mais conhecida como Quarteirão do Povo, uma ação de panfletagem, acompanhada por rodas de conversa, para combater o racismo e o preconceito.
Segundo a presidente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Montes Claros, Rita Alessandra Souza dos Santos, é preciso aproveitar a data como oportunidade para promover uma reparação dos direitos dos negros e honrar a alma de Joaquim Nagô, injustamente morto de forma trágica. “Realizamos esta roda de conversa aqui no Quarteirão do Povo para mostrar para a população que foi neste lugar que um homem negro, Joaquim Nagô, foi enforcado de forma injusta por um crime que não cometeu. Isso significa que a população negra tem enfrentado discriminação racial por séculos e é crucial que lutemos contra as brutalidades que ainda afetam os negros, em particular no que diz respeito a salários, já que eles ainda recebem menos do que os brancos, mesmo exercendo as mesmas funções", declarou Rita.
Abolição da escravatura
O dia 13 de maio é uma data marcada na história brasileira como o dia quando, em 1888, a escravatura foi abolida em nosso país. Isso se deu por meio de uma lei conhecida como Lei Áurea, que foi assinada pela princesa Isabel. A partir dessa lei, estima-se que mais de 700 mil escravos tenham recebido sua liberdade.
A abolição da escravatura foi resultado da luta realizada pelo movimento abolicionista, pela sociedade civil e pelos escravos durante as décadas de 1870 e 1880. A abolição da escravatura, no entanto, não foi acompanhada de medidas que integrassem a população negra na sociedade brasileira, por isso a data é vista como momento de luta contra o racismo pelo movimento negro.
Joaquim Nagô
Joaquim Nagô, também chamado de Joaquim Africano, foi um jovem escravizado, natural de Nagô, na África. Ele era considerado, naquela vergonhosa época da escravidão brasileira, "propriedade" do Brigadeiro Manuel Gonçalves da Cunha, integrante do Exército da Bahia.
Conta a história que Nagô foi acusado de assassinar, no dia 22 de abril de 1835, Joaquim Antunes, em São José de Gorutuba, distrito histórico de Porteirinha, a 173 quilômetros de Montes Claros. Pelo ato, o homem foi a júri popular, condenado e morto por enforcamento nas cercanias do atual Café Galo, no dia 30 de maio de 1836.
Uma corrente histórica afirma hoje que Nagô foi acusado sem qualquer prova evidente, tendo negado insistentemente a autoria do crime. Sua inocência se comprovaria depois de um tempo, quando, na cidade de Diamantina, um tropeiro agonizante teria confessado a autoria do crime.
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